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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Mahmoud Abbas na Casa Branca



Trump recebe líder palestino Mahmoud Abbas na Casa Branca
  • 03/05/2017
  • Washington


Da Agência EFE
 




No encontro com Abbas, Trump se ofereceu para ser o "facilitador" de um acordo de paz entre israelenses e palestinos que, no seu entender, deve ser negociado diretamente entre as partesOlivier Douliery/Agência Lusa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta quarta-feira (3) na Casa Branca o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para conversar sobre o estagnado processo de paz no Oriente Médio. As informações são da agência EFE.

"É uma grande honra ter o presidente (Abbas) conosco", declarou Trump, no Salão Oval da residência oficial, ao ressaltar que o conflito entre israelenses e palestinos já dura muito e que esperava que "algo fantástico" saísse das conversas de hoje.

Em fevereiro, Trump recebeu na Casa Branca o premiê israelense Benjamin Netanyahu, quando se desvinculou da política de seus três antecessores, ao pôr em dúvida que a paz em Oriente Próximo deva acontecer pela criação de um Estado palestino, por meio da chamada solução de dois Estados. "Estou avaliando uma solução de dois Estados e de um Estado. Gostarei da que as duas partes gostarem. Posso viver com qualquer das duas", afirmou o presidente americano na ocasião.

Ambiguidade

A ambiguidade de Trump sobre esse ponto gerou preocupação entre os palestinos e os países membros da Liga Árabe, que em sua última cúpula ressaltaram seu apoio à criação do Estado palestino.

Por outro lado, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, antecipou ontem que Trump está considerando seriamente em transferir a embaixada do país para Jerusalém, algo que já prometeu durante a campanha. Trump não quis se pronunciar hoje sobre esse tema, ao ser perguntado por jornalistas antes de sua reunião com Abbas no Salão Oval.

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"Facilitador"

Trump se ofereceu hoje para ser um "facilitador" de um acordo de paz entre israelenses e palestinos que, a seu julgamento, não pode ser "imposto" por seu país e deve ser negociado diretamente entre as partes. Em uma declaração conjunta na Casa Branca com  Abbas, ele se disse "comprometido" a trabalhar com os dois lados para tentar selar esse acordo de paz.

"Farei tudo o que for necessário para facilitar um acordo, para intermediar ou arbitrar qualquer coisa que eles queiram fazer. E vamos conseguir", declarou Trump. Segundo o presidente americano, ao longo de sua vida "sempre" escutou que "talvez o acordo mais difícil" de ser alcançado é o de paz entre israelenses e palestinos.

"Vamos ver se podemos mostrar que estão equivocados", disse Trump, olhando para diretamente para Abbas, que acenou com a cabeça mostrando concordar. O republicano evitou entrar em detalhes sobre quais são as condições que ele considera que devem haver para tornar possível a paz.

Hoje ele  comentou que não haverá "uma paz duradoura a menos que os líderes palestinos falem com uma só voz contra a incitação à violência e ao ódio". Além disso, destacou que a paz significa também "derrotar" o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) e outros jihadistas.

"Ocupação" de Israel

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), por sua vez, disse a Trump que "é hora de  Israel por fim à sua ocupação de territórios palestinos. Ele reiterou a Trump que qualquer acordo de paz entre palestinos e israelenses tem que incluir a chamada "solução de dois Estados" e ser baseado nas fronteiras de 1967.

Abbas destacou que Trump tem a "determinação" e o "desejo" de ter sucesso em eventuais negociações de paz, e acrescentou que ele acredita "firmemente" que é possível chegar a uma solução permanente sobre o conflito no Oriente Médio.

Segundo a agência de notícias palestina "Wafa", o objetivo da visita de Abbas a Washington é analisar "o papel" que o governo dos EUA pode ter no reatamento das negociações de paz com os israelenses.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Queremos paz!



Farc começam a examinar hoje propostas de novo acordo de paz
  • 04/11/2016 09h00
  • Buenos Aires









Monica Yanakiew - Correspondente da Agência Brasil
Num esforço para salvar o acordo entre o governo e a maior guerrilha da Colômbia, o presidente Juan Manuel Santos enviará nesta sexta-feira (4) negociadores a Cuba. Eles estão levando 400 propostas de emenda ao documento, que já havia sido assinado por Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e que foi rejeitado no plebiscito de 2 de outubro.

A inesperada derrota nas urnas levou Santos e as Farc a abrir nova rodada de negociações – desta vez incluindo os líderes da campanha do “não”, que se opuseram ao acordo original. O principal opositor é o ex-presidente Álvaro Uribe, antecessor e antigo aliado de Santos. Durante seu governo, a Colômbia optou por combater militarmente a guerrilha e o narcotráfico.

Santos, que foi ministro da Defesa de Uribe, colocou como meta de seu governo a negociação de um acordo de paz. Depois de quatro anos de idas e vindas, o presidente colombiano e o líder dos 7 mil guerrilheiros das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri  (conhecido como Timochenko), assinaram um acordo de 297 páginas para colocar um fim a meio século de guerra.

Em 52 anos de conflito armado, que envolveu também os cartéis de narcotráfico e os grupos paramilitares contratados por eles, 220 mil pessoas morreram – a maioria civis. Mais de 5 milhões abandonaram suas casas para fugir da violência.

O acordo, celebrado pela comunidade internacional, foi rejeitado por estreita maioria num plebiscito realizado no último dia 2 de outubro – pouco antes de Santos receber o Prêmio Nobel da Paz deste ano. Uribe, líder da campanha do “não”, considera que foram feitas demasiadas concessões às Farc.

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Além de uma reforma agrária e o compromisso de erradicar a produção de drogas ilegais, o acordo prevê perdão para os guerrilheiros – salvo os que cometeram crimes contra a humanidade – e subsídios para que eles possam depor as armas e se integrar à sociedade civil. As Farc teriam o direito de formar o próprio partido político, para defender suas ideias no Parlamento.

Segundo Uribe, não há garantia de que as Farc cumprirão a palavra. Ele considera que o acordo, tal como estava, apenas assegurava “a impunidade ao maior cartel de narcotráfico” do país. Com o fim da Guerra Fria, a guerrilha perdeu fontes de financiamento externo e passou a depender da produção e venda de cocaína para desenvolver suas atividades.

Conflito
O conflito começou nos anos 60, quando os partidos Liberal e Conservador pegaram em armas para resolver suas diferenças. Os camponeses, vitimas da violência, formaram as Farc -  a guerrilha mais antiga da América Latina, inspirada na Revolução Cubana, que lutava pela reforma agrária e uma economia socialista.

Apesar de não terem alcançado seu objetivo, as Farc cresceram - chegando a ter 20 mil homens armados. A guerrilha marxista sobreviveu ao fim da guerra fria e aos enfrentamentos – tanto com o Exército, como com os paramilitares, pagos pelos narcotraficantes para proteger suas terras e seus negócios.

Com a queda do comunismo e a dissolução da União Soviética, as Farc passaram a depender da fabricação e venda de cocaína para financiar suas atividades. E com isso perderam a simpatia – mesmo daqueles que um dia acreditaram no seu projeto de lutar por um país menos desigual.

Propostas

O governo e os representantes do “não” se reuniram para tentar encontrar uma proposta que pudesse satisfazer a todos e garantir o fim da guerra. Em comunicado à imprensa, os seguidores de Uribe disseram que “ainda não existem acordos, mas sim coincidências e diferenças com o governo, assim como propostas que permitem construir opções e avançar coletivamente rumo à paz que desejamos”. O comunicado, assinado também pelo ex-presidente Andres Pastrana, diz que “a bola agora está no campo das Farc” e que examinará essas propostas nos próximos dias.
Edição: Graça Adjuto