sexta-feira, 27 de maio de 2016

O racismo ambiental brasileiro



Coletivo de Combate ao Racismo discute empoderamento de negros e negras nas empresas
Data: 24/05/2016


Participantes também falaram sobre ações voltadas à geração de emprego
por: Rafael Silva, do CUT




Na última sexta-feira (20), a Secretaria de Combate ao Racismo da CUT São Paulo realizou mais uma reunião do Coletivo de Combate ao Racismo, na região central da cidade de São Paulo.

O encontro teve a participação de Júlio Cesar Silva Santos, do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, e de José Trevisol, coordenador do Trabalho da Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo de São Paulo, que falaram sobre os desafios no mundo do trabalho para a população negra.

Ao abrir a reunião, a secretária de Combate ao Racismo da CUT São Paulo, Rosana Aparecida, falou sobre o atual momento político do País, destacando que as políticas de promoção da igualdade racial construídas nos últimos anos correm riscos de serem extintas.

“A gente está vivendo um momento muito difícil, pois o golpe acabou com a Secretaria Nacional da Igualdade Racial e isso representa um retrocesso de anos. Vamos ter que resistir e seguir na luta, principalmente empoderando os negros e as negras que estão nos sindicatos”.

Secretário estadual de Finanças da Central, Renato Carvalho Zulato, lembrou que esses encontros temáticos, com a participação de convidados, foi uma demanda do planejamento realizado pelo Coletivo no início do ano. “Felizmente temos uma Secretaria muito atuante e esse encontro vai possibilitar que vocês levem essa discussão aos sindicatos. Isso será muito importante”.

Desafios

Em sua apresentação, Júlio Cesar falou sobre cláusulas raciais nos acordos coletivos, destacando o processo de construção, implementação e desafios para a promoção da igualdade aos negros e negras. Aos participantes, o bancário contextualizou momentos da história do Brasil que ajudaram a entender a importância das políticas de ações afirmativas.

Disse ser necessário ter uma transformação cultural em todos os setores para que a discussão sobre promoção de igualdade ganhe força também nos espaços de trabalho. Júlio citou, como exemplo, o mercado de cosméticos que possui poucos produtos voltados aos negros. “Nós estamos no século 21 e há poucos estudos para desenvolver produtos para peles negras”.

Na questão financeira, aponta que a diferença salarial entre brancos e negros continua sendo o grande desafio. Mesmo tendo o mesmo nível de escolaridade, o negro recebe, em média, R$ 1.681,32 mensais, enquanto que o branco ganha R$ 2.812,23, segundo a pesquisa Mapa da Diversidade, realizado pelo setor bancário em 2014. “Identificamos que há muitos negros que realizam o mesmo trabalho que os brancos, mas eles não têm mobilidade. Ou seja, quando a empresa promove um funcionário, a preferência é para o branco”.

Em seguida, José Trevisol contou sobre os programas implementados pela Prefeitura de São Paulo voltados à geração de emprego, como o CAT (Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo), que oferece atendimento à população que busca reinserção no mundo do trabalho, o Centro Público de Direitos Humanos e Economia Solidária e a Incubadora Pública de Empreendimentos Econômicos Solidários, que fomentam iniciativas de geração de renda sob a perspectiva de cooperativismo e economia solidária.


Outro tema abordado foram os desafios de inclusão da população de imigrantes que chega a São Paulo e encontra dificuldades de inserção no mercado de trabalho. Trevisol disse que a Prefeitura tem realizado reuniões com empresários para colaborar na desconstrução de ideias e, com isso, gerar oportunidades para todos os públicos.

“Temos feito encontros com empresários, junto com o prefeito e o secretário, para mostrar a nossa preocupação, enquanto gestores públicos, com a questão do emprego e da renda para os todos os trabalhadores”, disse.